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Passa Por Lá

Passa Por Lá

11
Fev14

Dança Roubada

Carolina
 os beijos, as cerejas, os figos, os doces... em comum, o que têm? -  todos sabem melhor roubados. 
roubam-se, reclamam os donos, mesmo quando gostam e reconhecem a paixão do roubo, felizes seguem os que roubam, e trata-se de um furto que em nada atrapalha a ordem natural das coisas. o mundo sorri e vê passar....
e são assim estas coisas; coisas, aquelas que ultimamente, para lá da sua forma material, andam em forma de palavra, um sujeito activo na construção dos meu roubos e das minhas palavras. 
não sou boa roubadora de acção, sou mais uma roubadora de bastidores, gosto de dar ideias sublimes, para que alguém muito astuto chegue ao ponto mais alto de um figueira, ou ao melhor dos beijos que deseja... 
para lá de não ter jeito para estes gamanços subtil e de beleza estonteante, embora já me tenha aventurado nos meus, ajudada por vezes pelo álcool engarrafado que o mundo nos permite comprar por aí,  não sei dançar... posso por isso ficar encurralada entre dança que nunca vou roubar e a descoragem que transmito a quem ousar fazê-lo. 
podíamos falar imenso sobre o verbo dançar, sobre o que a construção desta palavra me diz, parece-me um circulo, um circulo sonoro e alinhado, e os círculos na minha cabeça, em forma de gente, representam duas pessoas, sempre duas. dança de uma só eu sei fazer, e sei também  que nunca se poderia roubar! 
o meu dançar a dois, pode ver-se, mas não tem de se ouvir, porque há musicas que tocam só para alguns ouvidos, longe do mundo que não a decifra, pode ser rápida ou lenta, dois passos ou um leve abanar, chama-se sempre dança porque é a junção mecânica e metafisica de dois corpos, quatro mãos,algumas  pernas que podem ou não tocar-se, peito mais ou menos colado e olhar cerrado ou distante. intensamente dançada, tem a força de um vulcão e a leveza de um cascata, adapta-se-se ao ritmo do tempo que não conhece, porque existirá acima das horas que ele mancar pode ser um tango, um fado ou um corridinho, e pode ser nada perto de um estilo qualquer...
entre a conversa, as eternas palavras roubadas, as declaradas, não vou escolher a música, o dia, a hora, o tempo, a roupa ou os sapatos, vou esperar com vontade que passe alguém e me faça rodopiar levemente numa daquelas estranhas e não únicas, mas perfeitas danças roubadas...

http://www.youtube.com/watch?v=iX-QaNzd-0Y

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