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Passa Por Lá

Passa Por Lá

29
Ago16

caçador de sóis

Carolina


o mais bonito que já vi...
a correr ou a marcar passo, respirando de uma vez todo o tempo, o que já não tenho, o que vou ter.
braços abertos, entre aventuras sem fim à vista, cabelos soltos, encaracolados em histórias de encantar que não existem mais.
ponho os olhos de soslaio no céu, deito-me no chão e olho para dentro, estou comigo.
inspiro um ar quente, expiro todas as vontades.
não te posso por no meu bolso, não te posso levar nas costas, não há mochila onde caibas,  mas posso seguir todas as tuas dicas....
posso Dar-te a minha pele, deixar as minhas sardas ser protagonistas do meu verão, encontrar na tua luz o brilho até aqui fugido dos meus olhos...
em passos pequenos  posso fugir e continuar a correr para ti, sem certezas de caminhos certos ou necessidade de qualquer mapa,sigo para Este onde nasces.
um só entre tanto céu, todos os céus do mundo para correr em voltas que nunca se esgotam, estações que sempre mudam, ao meio dia a sul, a oeste no final, afinal para onde vais tu, sem sair do mesmo lugar?

Ser o que eu quiser na certeza que estás aí amanhã...ir em busca de ti para qualquer parte, encontrar todos os teus "tus", num momento captar a esperança e partir para o teu próximo nascer.
parar dois minutos num trilho qualquer, esquecer que existe tempo. tocas o meu corpo, não te tocarei nunca com a força do corpo que parte para te caçar, a ti Sol.
com um pouco do que és na mochila ou dentro de mim, depois de ter corrido tanto para ti, enquanto te sei em qualquer céu, para quem te quiser sentir, enquanto te vejo sempre, mesmo aqui, ou de qualquer outra janela.
ficar contigo em tantos lugares, esquecer-me que não sou de nenhum deles, por não importar muito ser de qualquer sitio, por não sermos de lado nenhum, quando seguimos em frente.
busco a tua luz em tantos dias que nascem, quero prender-te em tantas photos na esperança vã de isso ser possível.
sou um caçador de sóis falhado, com a missão impossível de chegar mais perto todos os dias do mesmo sol, vestido de outro dia qualquer.

falharei todas as vezes como caçador de sóis, não serão poucas ou pequenas. serão histórias, de que quem quer caçar o sol e acaba a conhecer o mundo!





24
Ago16

e depois...

Carolina
prato cheio, fome, frio, calor, dias quentes, outono e inverno, camisolas gigantes para dormir no sofá, meias com aviões, sofá novo, muitas almofadas. 
chá quente num bule antigo, livros por todo lado, lápis de cor e mantas.

um ou outro cabelo branco, rugas nos olhos, a escova de dentes dura, a mala sempre pronta, dia e noite, manhã e tarde. norte, sul, esquerda direita, voo directo,escalas. 

tudo, nada. medo, coragem, força, fraqueza, lágrimas, gargalhadas, pessoas, coisas, cigarros novos, o mesmo fumo. 

e depois... depois é tarde demais sempre. é um estar para vir que nunca é. mesmo antes de chegar deixou de o ser, deixou de importar. o futuro escreve-se no presente do indicativo, com a tinta de cada momento e sem previsões ancestrais, ou mapas de astros. 

o depois é um silêncio que, mesmo antes de o deixar de ser, termina, onde nunca sabemos o que vamos ouvir, mas podemos adivinhar o que vamos dizer. 

o depois é uma morte anunciada dum qualquer agora, um caminho nenhum, sem destino ou chegada, é uma interrogação extensa, que por muito pensada não se pode programar, é um tempo morto entre o que já gastámos e vamos gastar. é um moeda  sem mercado de troca. 

depois, depois não interessa, porque o tempo que está para vir só existe para quem tiver que o viver. nem o tempo o melhor de todos os destinos consegue saber quem vai encontrar, como pode então o Depois importar...

depois é longe, agora é aqui, é aqui que estou! 


(e o depois de agora... o depois de agora  Não interessa)


16
Ago16

{ posso sempre voltar a fumar outro cigarro}

Carolina



fumo,
translúcido mas enevoado.
invisível, vagueando na ausência,
cheira a pó.
as minhas mãos pequenas guardam o cheiro do fumo...
a sala mudou, a música não parou de tocar, o relógio sossegou de novo.
os ponteiros parados do meu peito giram agora devagar, a janela aberta faz corrente de ar, as minhas costas arrefecem, eu espirro.

já fumei...
nunca soube fumar...
engasgo-me.
tropeço nos meus dedos enroscados no cigarro, deixo o cheiro pintar o ambiente e ficar por ali.
ele vai ficando pequeno e as minhas mãos maiores.
largo a camisola no chão,
deito a cabeça numa montanha de almofadas,
nua, entre o fumo invisível, do cigarro que se acaba, penso:
posso sempre voltar a fumar outro cigarro...




05
Ago16

Da terra e do mar!

Carolina

Pés em chão preto.

Rochas talhadas pela força do atlântico límpido e frio. 
Vestígios de brilho e sal, em cada contorno, acentuam no ar um cheiro intenso a mar. 
Brilham como se cada raio de sol por ali ficasse. 

Os meus pés quentes, tocam uma terra que afinal é o chão de um mar imenso.

Com os meus pés no chão  vejo o infinito ao fundo, para lá desta ilha um horizonte e tamanhos continentes. Terra para pisar, o mundo a acontecer. Infinito desconhecido mistura-se em nuvens no o tempo que passe e que estará para vir.

A minha pele clara e quente, a minha sola do pé mole e descalça, sente a força que vem do chão de pedra preta a suspirar entre respingo das ondas do mar. 

O meu corpo em busca de todas as brisas tenta soltar os ombros, abrandar toda a pressão das costas e respirar toda a energia que houver por ali... 
Abrir os pulmões ao mar, o corpo ao calor vulcânico da terra ... e não fazer mais nada! 


Photo: AD @Funchal
#passaporlá



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