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Passa Por Lá

Passa Por Lá

22
Abr14

relógios

Carolina
mais que a música dos Coldplay, que estou a ouvir enquanto escrevo, há em mim um gosto fecundo e estranho por relógios. viciante e eterno,  são peças que me ajudam a desenvolver a noção do poder de compra; gosto deles grandes, masculinos, coloridos, mais pirosos, metálicos ou de couro, gosto até daqueles que posso colocar no pulso sem pilhas. não sou de todo muito esquisita, (acho que só não gosto dos feios) um ano sem um relógio novo é como um natal sem prendas, isto para o meu lado pessoal mais consumista. sim ele existe, e às vezes confesso o meu gosto por ele. 

gosto de horas, gosto de sentir um tic-tac mais ou menos silencioso perto das minhas veias que noutro bater me dizem as horas do meu corpo. 
longe do lirismo e da beleza do tempo, há o desejo, a luxuria, a beleza de um peça, de um efeito, o ser pinderica  e ostentar mais um, novo, lindo, perto das tendências ou perto do vintage... mais um relógio na colecção, que ao fim de todas as contas nada mais é que isso.
junta-se este desejo materialista e parvo a uma lista de outras vontades, que nunca prioritárias mas com dignidade elevada de existência, vão sendo minhas e senhoras dos meus desejos. 
este relógio é mais um e ficava muito bem a passear pelo meu pulso... 
um dia aposto num negócio de aluguer de relógios e pinchbeck só para poder usar muitos e diferentes sempre que me apetece...
ando de olho neste, e na sua manada de irmão coloridos, andar de olho quer dizer que ainda faltam passos enormes para me decidir pela sua compra, e há uma lista de coisas ainda há sua frente, no que a necessidades mais básicas diz respeito...
fica a vontade, creio que o tic-tac não é muito diferente de outros, fica a nota, e o desejo, não vá uma alminha caridosa e fofinha ter vontade de me presentear e andar confusa nas escolhas... (não pode dizer que não acertou por falta de dicas... :) :)

09
Abr14

diz que o V costuma ser de Vitória!

Carolina
não importa se devia estar na escola, e estou por aqui a vender postais de má qualidade aos turistas. 
turista que se não compram tiram uma photo e levam a minha imagem para um longe que não sei onde fica, muito para lá da noção de distância que por não ter ido à escola não cheguei a conhecer. 
um ou outro vão pagar uma coca-cola, fazer uma a outra pergunta, barafustar para não o incomodar, vão falar com sons que não conheço e palavras que não decifro.
farei o meu olhar de pedido, um outro sorriso malandro, um gesto de procura, e mostrarei a beleza das imagens dos postais do meu país, de alguns lugares onde já fui, mas não pareciam assim tão belos, e de outros que nem sei se existem... 
na confusão de todos estes dias iguais, vou andando por aqui, na companhia dos primos, amigos e outros, que em disputa querem o máximo de moedas a troco das imagens estampadas em papel...espero que não chova, não gosto dos dias que chove, tenho de correr para fugir dela, e os turistas não param para fazer photos ou contemplar o verde da paisagem. 
nesta rota diária sempre igual, entre uma e outra brincadeira e o trabalho  das moedas, aprendi um gesto que qualquer pessoa entende, até os louros e brancos que não sei como aguentam este calor, um gesto em que os dedos fazem um bico, e faz rir quem me olha, os meus companheiros fazem igual, fazemos todos, e sorrimos, como se fosse um hino que nos mostrasse como somos. 

um V com os dedos, ou de um bico dos mesmos, costuma ser de Vitória! 
um V de vitória, feito com as mãos, não têm língua, ou som, é uma universalidade da comunicação gestual... existe, persiste, despoleta nos demais reacções e pensamentos. é um V, faz-se com as mãos. 

sei que é de vitoria, rio ao tirar a photo, questiono-me  ao ouvir o disparo - saberá ela o que faz com os dedos, como se dirá vitória na sua língua, em indonésio?
será que o seu gesto e reflexo do que sente, ou simplesmente aprendeu, que aquele V, de nada, de  expressão de dedos, ou de vitoria, faz viajantes como eu comprar-lhe os dez postais... pelo dobro do dinheiro que me estava a pedir? 

o v costume ser de vitória...costuma ser, esperamos que seja sempre ... 
02
Abr14

legado

Carolina
um dia vou partir, certo! dessa partida sem retorno pouco sei, pouco se sabe. pouco importa. importa só o medo que tenho de deixar o que deixo para lá de mim, para quem de fora de mim.

quero deixar um rasto de mim, uma história do que fui, que mais que  tudo me orgulhe a mim, que só me envergonhe das vezes que ruborizei de paixão, de nervosismo e de ânsias de coisas melhores... 
quero um rasto de mim, repleto dos outros, cheio das cores, não da minha roupa, mas da minha alma. imenso em palavras, as minhas, as escritas, as ditas, as gravadas nos passos que dei, nas viagens que fiz, nas photos que mostrei aos meus. 
quero um rasgo que para lá do sangue fique numa memória maior que a dos retratos das salas, dos álbuns ou das gavetas, que é onde devem estar as fotos dos que partem, há mão da nossa recordação, num lugar de calma constante. 

quero deixar um legado, do que sou, do que já fui, e quero um legado maior, de uma existência que não se extinga, e que velha ou nova, permita que se diga, se mais por aqui estava, mais faria.
quero deixar no chão marcas de pés descalços e histórias nos sapatos que calcei, naquele dia, naquele lugar, contigo, com os irmãos, os pais, os filhos os homens, aos amigos, a alma, o corpo, a carne e a respiração.
uma cambalhota de incógnitas, ficções e imaginações, em baús, armários, roupa, sapatos. que dê gosto aos meus netos e filhos passear com ela vestida, cheios de estilo, cheios de orgulho, orgulho que vá para lá do vintage, orgulho de pertença, a um família, a um valor, a um legado.  
quero que os castiçais da minha avó não se partam, e os serviço de jantar da outra avó, se continue a usar, saiam da minha casa vazia, para o aparador e mesa de quem é meu num sempre que depois de mim, não tem um fim...

não quero linhas, nem limites, um legado não espera, não têm pausas... não quero aplausos ou bocejos. 
um legado não têm filas, não gosta de compassos, e nunca para à espera. ultrapassa riscos, segue em frente, quer caminhar num tempo que o relógio não mede.
quero um legado meu, com o eu que está sempre para lá de mim. aquele que pode nem falar, nem pensar para existir... que se move num tique de mãos, numa herança genética, numa herança de contextos e valores, num sinal, numa cicatriz, numa historia deturpada, de tantas vezes que foi contada.

quero, tenho, terei. sei, sinto, 
já tenho um, veio de lá para mim, não é todo meu, mas meu já é, vou continua-lo. já o continuo! 

os legados devem ser sempre vivos, na incapacidade de os mover, quero deixar ao meu a energia capaz para que pelo tempo que o tempo lhe permitir, se mover com ele... 
quero que fique nos caracóis de outra menina, nas bochechas, na sua teimosia, no seu mau feitio, na sua emoção, ou na rebeldia de um rapaz, na curiosidade imensa que tenham em descobrir o mundo. quero que fique em quem esteve comigo, que permaneça na sua existência e o acompanhe no sua imensidão.
quero um eu capaz de ser para lá dele, que arranque sorrisos, palavrões, gostos e não gostos a quem o conheceu. quero ser capaz de fazer a meu caminho e ao meu tempo o legado que dele sai. 

legado é o pleno de ser a ser, onde transformar é o segredo, a capacidade de sermos mais que um, de sermos sós e sermos outros, e de sermos com todos os nossos "eus" os maiores caminhantes de um estrada onde o tanto que conhecemos é sempre tão pouco. 

que o meu legado nada mais seja, nada mais queira ou ouse ser, que eu! 
(assim se cumprirá por certo uma de tantas, e talvez uma entre as maiores missões de Ser(mos)!) 


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