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Passa Por Lá

Passa Por Lá

19
Jun08

Diálogo de uma "surda-muda"

Carolina
- Bom dia!
- Costumo acordar assim!
- Hoje estou feliz, cansada, tonta, mas feliz!
- Costumo acordar assim, não sempre, mas costumo...
- Eu não, mas hoje sim...
- Esse sorriso é mesmo teu!?
- Sim este é meu, já não o tinha a muito tempo aqui tão perto...
- O sono foi profundo?
- A noite foi normal e o sono esse como sempre fraco e pouco.
- Os sonhos foram intensos?
- Não me lembro muito deles, mas são como o de costume tortos e baralhados!
- Esse sorriso teu é então da almofada?
- Não é da noite, da cama, ou da almofada. É meu, de mim para mim, não foi a noite que o trouxe, foi a tarde, o dia, foi a descoberta de que afinal há quem desege, queira e goste.
- Do teu sorriso ?
- Das pintas da minha cara, das covas do meu sorriso, dos meus olhos castanhos, do meu jeito, de mim, tal qual como sou, surda - muda para o mundo de quem eu quero.
- Sorris de vaidade??
- Não, de vontade, de descoberta, de liberdade! Quando nos fecham as janelas perdemos as asas, mas só até descobrirmos que há sempre outras portas, as nossas, que outros nunca podem fechar, e que só cegos poderemos enconstar a nós próprios....
- Acordaste então!!
- Parece que sim. e Tu? Já acordaste assim???
11
Jun08

como sou?

Carolina
Sou como?
Que ando a fazer com os meus passos, e com os abraços das minhas desventuras?
Para onde vou afinal, onde vou parar, se é que vou parar?
Perguntas, questões e se bem sei como sou, ou não, não se encontram respostas e afirmações para nelas encaixarem.
Estou às voltas como sempre, estou de volta a angustia que sou, ao sopro nos olhos que tão velozmente faz a lágrima cair, estou de volta à solidão das insónias e aos pensamentos inseguros.
Nunca me apercebo como se chega a um barco assim ,mas nas voltas que dou, entrou sempre num casco semelhante, sou atraida para embracar, embarco e depois afogo-me.
Afogo-me nas palavras que não digo, nas letras que escrevo, nos sonho que não concreyizo e nas estradas que não percorro. Fico parada no braco que me leva de certo a um destino em tudo igual ao que não sei mudar, e ainda ao que me enfraquece.
Sou como? Agora como sou eu?
Onde ficou todo o orgulho e audicia, onde fico todo o brilho, onde está cada pedaço daquela força que vem, e vem e sempre vinha de um lado qualquer por mais que pequeno que ele fosse. Não descubro bosques encantados nos pantanos que teimo em percorrer, não descubro flores a nascerm nem ar fresco. O calor terrifico de carne seca mistura-se com nevoeio, e eu nele, sou mais um D. sebastião que nunca se acha, sempre se perde mais, para sempre, na eternidade nada serena de um tempo que devia ser meu, e que vivo na angustia de não ser suficiente eu, dentro dele.
Não sei como sou, não agora, não sei o que fazer com o que resta de mim, nas voltas todas, procura não saber, não sentir, e acima de tudo procuro que não doa; a angustia já me traz dor que chegue, e já me mostra como é ser sobremesa num mundo cheio de pratos principais.
Não sei como vou ser, impossivel, improvavel, melhor assim...não sei se volto a voar, não sei se desisto já, ou se continue, prolongada a ser a espera...
Não sei...
Ser como sou, vale a pena?
Se não vale agora, por certo ha-de valer, não quero deixar de acreditar que um dia a minha existência se resuma a uma linha onde se leia, Foi quem nunca valeu a pena....
02
Jun08

Vergonha

Carolina
A timidez as vezes domina, e sempre fui assim estranhamente dona de uma certa dose, disfarçada entre nervosismo, gargalhadas e sentimentos, um ou outro vermelhão no rosto, mas vergonha???
Nunca tive vergonha de mim, nem naqueles momentos que me levaram ao arrependimento numa brevidade imediatamente a seguir a eles, nem nas piores quedas e fracassos, sempre fui maior, mais forte, mais dura e certa de ser mais que um fraco e pequeno traço partido, vergonha de mim, estranho, mas essa nunca chegou aqui, nunca dominou os meus dias, as horas do meu cansaço e das minhas tantas e indescvritiveis loucuras. Nunca acorbardei o meu erro no jeito de ter vergonha do que nunca me larga, do que não passa e pernanece aqui, ocupando exactamnete o espaço onde estou, eu!!!
Nunca me separei de mim ao ponto de me esconder ou reprimir com vergonha do que sou, nunca... mas hoje dou por mim, paredes meias com uma vergonha, que quase me leva a questionar o que sou, como sou, envergonhando-me de ser.
Ando assim, buscando um encosto, um olhar de fora que me contemple no mundo e não distante dele, alguem que me liberte do espaço cerrado e respire comigo o ar de fora, do lado de lá.
Não toco piano, não falo frances....mas também não carrego verrugas enormes na cara, nem possuo olhos tortos, sou perfeita de ser, ou melhor sou como sou e sendo quero ser também lá fora.
Sinto a vergonha aqui, a vergonha de ser quase nada que me diz que val mais ser tudo para mim mesma que a insignificancia escondida de qualquer outro alguem...ando as voltas a fugir duma vergonha que me sufoca e que quase me faz sentir que é boa, que quase me alenta, nunca me senti assim, incapaz de reagir e mostrar-me mais como sou.
O meu olhar é transparente mesmo quando não falo, mesmo quando não sei, eu sou como sou, no complexo de ser e existir, gosto de estar de rir, de fazer de sentir, gosto que me toquem, me ouçam, me mostrem, me sintam, me digam, que não digam, gosto que partilhem e de partilhar, gosto do sol de o ver só, de o ver com os outros, gosto de ritmo de coisas, de fazer, de construir, nem sempre só eu, nem sempre só nós...Detesto que sintam vergonha de mim, que me fechem, que me escondam, que me façam sentir um resto que espera, um resto que está ali....
Gosto de tudo o resto, do que sei, do que não sei, do que as vezes acho que é, e que dá p se sentir, só não gosto que aqui tão perto, não me achem capaz, me pintem de preto para que ninguem me veja, me escolham e reduzam para uma ou duas funções e nada mais...
Não sou de vidro, também não sou de ferro, antes de ser como sou, sou de sentir como qualquer outra coisa, coloco perto de mim tudo o que é importante, e não sei fazê-lo por dias, horas ou selecções, se está aqui vale o que vale, vale porque é...
Destesto sentir esta vergonga a rondar-me, detesto a insignificancia e a ignorancia, detesto ter medo de ser como sou, de nada ser por ser assim....
Gosto do meu sorriso, da minha gargalhada, do meu jeito, gosto da segurança do meu pai, do apoio da minha mae, do brilho dos olhos dos meus irmãos quando me abraçam e me sentem a chegar, gosto do ombro dos amigos e das palavras deles, gosto de ser para eles assim, gosto de ser a preferida da minhã avó, a escolhida da minha prima mais nova, gosto das covas no meu rosto enquanto me sei rir, gosto do vento na cara e da minha respiração de felicidade, gosto de pular no meu espaço, de dançar no pátio da minha solidão alcançada, gosto de ser livre, e gostava de o ser sempre, mesmo quando deliberadamente me amarrar, gosto de tudo isto, da minha timidez e de tantas coisas, mas detesto essa vergonha que está aqui, essa que sentes de mim, e acabas por me mostrar... Gosto quando me engano e aprendo, quando me ensinam e mostram tanto, gosto de descobrir de levar comigo e de levantar o véu de uma ou duas coisas, gosto de mãos entrelaçadas, gosto de companhia, mas gosto de espaço, nem sempre cem, nem sempre mil...
Sei que não sou assim tão fraca, tão pequena, tão pouco capaz, tão má, para me estar reduzida umas migalhas de pó de uma pequena e insiginficante ampulheta, às restias de um dia, ao som de uma ventania, ao sopro de um momento, ao canto de um quarto, ao pó que se acumula num espaço assim...
Vergonha de mim, porquê? porque passa ela por lá, porque a sinto assim... se no fundo ser como sou até te mostra que podes ser como és?!

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